Versos Portuguese Fernando Pessoa *Apoteose*

Portuguese poem

*Apoteose*

by (1888–1935)

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Mastros quebrados, singro num mar d'Ouro Dormindo fôgo, incerto, longemente... Tudo se me igualou num sonho rente, E em metade de mim hoje só móro...

São tristezas de bronze as que inda chóro-- Pilastras mortas, marmores ao Poente... Lagearam-se-me as ansias brancamente Por claustros falsos onde nunca óro...

Desci de mim. Dobrei o manto d'Astro, Quebrei a taça de cristal e espanto, Talhei em sombra o Oiro do meu rastro...

Findei... Horas-platina... Olor-brocado... Luar-ansia... Luz-perdão... Orquideas pranto...

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

--Ó pantanos de Mim--jardim estagnado...