Portuguese poem
*Cantico--Semi-Rami*
by Fernando Pessoa (1888–1935)
--Oh! Noute em Teu Amor Silenciosa! --Oh! Estrellas na Noute, Scintillantes, Como Ideaes e Virginaes Amantes!... --Oh! Memoria de Amor Religiosa!...
--Já Fui... uma Creança Pubescente Que des'brocha em Amor Inconsciente Como n'um Vago Sonho... Commovente Desabrocha uma Rosa Olorescente --A Adolescente... Casta e Curiosa!
--E já Fui... a Galante com Requinte Para dar-me, Esquivando-me em Acinte De P'rigos da Ventura Cyspresinte --Sensitiva... Ao Brisar, do Sol Orinte... --A Nubente... Temente e Desejosa!
--E já Fui... a Noivada pelo Amante, A Cingida de Abraço Palpitante, Anxe do Sacrificio Inebriante! --A Flôr que Quebra o Gyneceu... Hiante, --A Desvirgada... Grata e Dolorosa!
--Oh! Memoria de Amor Religiosa! --Oh! Estrellas, na Noute, Scintillantes Como Ideaes e Virginaes Amantes... --Oh! Noute em Teu Amor... Silenciosa!
Já Fui... como a Senhora, sim, durante Uns Tempos de Ventura Confortante Nos Confortos de um Lar... Hoje Distante... --Como Dista, da Noute, um Paço Encante... Já Fui... uma Matrona Virtuosa!...
E já Fui... a Devota pelo Amor, A Adulterin... que Trahe o seu Senhor!...
E a que sentiu Doer o Coração Ao Fim de Tanta e Cada uma Vez Por cada Intento só Colhêr Revez Nas Esp'ranças da Sua Devoção!...
Oh! Noute! em Teu Amor Silenciosa! Oh! Estrellas, na Noute, Scintillantes Como Ideaes e Virginaes Amantes... Oh! Memoria de Amor Religiosa!
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E se Ha de Amor, algum Amor Eleito, Aquella Tambem Fui, que Ninguem Fôsse, Que, n'um Mysterio, como o Inferno, Doce, Amei a Minha Filha, no seu Leito...
Sim, se Ha de Amor algum Amor Eleito, Minhas Irmãs, Cingi-me ao Vosso Peito E Ouvi-Me esta Memoria Dolorosa...
Já Fui Aquella que Perdeu a Esp'rança, E Errou Espasma Noutes sem Termino, Entre a Treva das Selvas Pavorosa, Anxe em busca de Amantes do Destino...
--E A que Lembrou os Tempos de Creança!...
--E já Fui como a Sombra da Saudade Amando a Lua, pela Immensidade!
--Oh Noute! em Teu Amor, Silenciosa! --Oh Estrellas, na Noute, Scintillantes Como Ideaes e Virginaes Amantes! --Oh Memoria de Amor, Religiosa!...