Versos Portuguese Fernando Pessoa *Fragil! Fragil!*

Portuguese poem

*Fragil! Fragil!*

by (1888–1935)

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*843--AG LISBON* *492--WR MADRID*

Ávido, em sucessão da nova Beleza atmosferica, O meu olhar coleia sempre em frenesis de absorvê-la Á minha volta. E a que mágicas, em verdade, tudo baldeado Pelo grande fluido insidioso, Se volve, de grotesco--célere, Imponderável, esbelto, leviano... --Olha as mesas... Eia! Eia! Lá vão todas no Ar ás cabriolas, Em séries instantaneas de quadrados Ali--mas já, mais longe, em lozangos desviados... E entregolfam-se as filas indestrinçavelmente, E misturam-se ás mesas as insinuações berrantes Das bancadas de veludo vermelho Que, ladeando-o, correm todo o Café... E, mais alto, em planos obliquos, Simbolismos aereos de heraldicas ténues Deslumbram os xadrezes dos fundos de palhinha Das cadeiras que, estremunhadas em seu sôno horisontal, Vá lá, se erguem tambem na sarabanda...

Meus olhos ungidos de Novo, Sim!--meus olhos futuristas, meus olhos cubistas, meus olhos interseccionistas,

Não param de fremir, de sorver e faiscar Toda a beleza espectral, transferida, sucedânea, Toda essa Beleza-sem-Suporte, Desconjuntada, emersa, variavel sempre E livre--em mutações continuas, Em insondáveis divergencias...

--Quanto á minha chávena banal de porcelana?

Ah, essa esgota-se em curvas gregas de anfora, Ascende num vértice de espiras Que o seu rebordo frisado a ouro emite...

É no ar que ondeia tudo! É lá que tudo existe!...

... Dos longos vidros polidos que deitam sôbre a rua, Agora, chegam teorias de vértices hialinos A latejar cristalisações nevoadas e difusas. Como um raio de sol atravessa a vitrine maior, Bailam no espaço a tingi-lo em fantasias, Laços, grifos, setas, azes--na poeira multicolor--.