Portuguese poem
*Lampada Nocturna*
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Tonta de somno e de doçura no alto das garras de marfim perdida em sombra a luz procura. Alguem morreu dentro de mim...
Pela janela triste e escura que abre os balcões para o jardim sóbe um perfume de amargura. Alguem morreu dentro de mím...
E vaes rompendo silenciosa com o fino teu punhal de luxo no ultimo vaso a ultima rosa...
E o caule nú reflecte agora no teu olhar como um repuxo que implora o azul e não demora...