Portuguese poem
*Ninive*
by Fernando Pessoa (1888–1935)
--Alem Foi--a Ninive da Piedade, A Cidade do Lucto Singular E a Sepultura da Semi-Rami... --E Hoje... stá por Ali, Vaga, a Saudade... --E anda no Ceu Supremo a Eterna Istar... --E... Passa, ás Vezes, a Serpente...--Ali!...
Na Camara Longinqua e Silenciosa Da Sepultura da Semi-Rami... --Relegada da Vida Gloriosa --Na Paz Final da Morte Mysterosa --Fria e Saudosa --Dorme a Semi!...
--Morreu na Guerra em um Paiz Distante... --Na Expedição Fatal em que Morreram Trez Milhões de Soldados...--e ainda Mais... --E os Guardas d'A Que Fôra a Triumphante --Fieis..., os Seus Cem Guardas Immortaes... Na Piedade Final do Ultimo Preito Denotando os Seus Corpos Vigorosos --Mantendo sobre os Hombros Pressurosos O Feretro Sagrado da Semi... --Por Caminhos Infindos Escabrosos Em Terras de Inimigos... e Chacaes... --Por Soes de Fogo...--Vastos Areaes... --E Pavôres Sacros de Paiz Levante... --Trouxeram Seu Cadaver do Distante --E Inhumaram-A Alli... --Fria e Saudosa!... --Na Camara Longinqua e Silenciosa Da Sepultura da Semi-Rami!...
*....?....*
--Eras... nos Tempos... Antes da Edade... Teu Gesto Gloro Gerou a Vida!... --E Apoz Teu Gesto... --Supremo... Immesto... --Grande e Tacida... --Depoz... É a Noute na Immensidade!...
--E a Mãe do Rei do Reino Sul-Occaso Disse a Mu-Ang--Alguma Vez, Accaso... --Olha a Nuvem no Céu... e como Corre!... --Assim as Horas da Ventura Minha... --Quem Tem Filhos na Terra--Esse Não Morre!... --Despozae--Se Sois Rei--uma Rainha --Que É Tanto como Vós Pela Grandeza... --E... Depois... de Espozardes a Belleza Podeis Seguir Então Vossa Encaminha!... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . --E o Rei Mu-An' disse á Rainha, Então... --Junto de Vós... Enlevo-me de Encanto... --Longe, Porém, do Meu Paiz--Ha tanto,-- Que Nem, Meus Reinos, Já Eu Sei se São... --Volto ao Meu Reino... n'Esta Dôr Tamanha... --Seja--A da Mãe do Rei--Esta Montanha Onde Alastra Este Bosque de Arvoredo Junto ao Lago... em que Estamos... em Adeus!... --Ó Mãe do Rei... Vós M'Enlevaes nos Céus --Mas o Meu Coração Soffre em Segrêdo!... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
--Quantos... desde Chu-Si a Kuan-Su --Filhos do Céu nas Filhas do Kiang --Consagraram no Throno dos Hoang --Aureolados do Pavão Azu?... --E Algum Dia... Encostaram-se Tranquilos Sobre a Meza de Joias do Estar Manso --E Cerraram os Olhos nos Seus Cilos... --E Abateram Seu Gesto Socegado De Imp'radores do Imperio Consagrado... --No Gesto da Decencia e do Descanso!...