Portuguese poem
*Angulo*
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Aonde irei neste sem-fim perdido, Neste mar ôco de certezas mortas?-- Fingidas, afinal, todas as portas Que no dique julguei ter construido...
--Barcaças dos meus impetos tigrados, Que oceano vos dormiram de Segrêdo? Partiste-vos, transportes encantados, De embate, em alma ao rôxo, a que rochêdo?...
--Ó nau de festa, ó ruiva de aventura Onde, em Champanhe, a minha ansia ia, Quebraste-vos tambem ou, por ventura, Fundeaste a Ouro em portos d'alquimia?...
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Chegaram á baía os galeões Com as séte Princesas que morreram. Regatas de luar não se correram... As bandeiras velaram-se, orações...
Detive-me na ponte, debruçado, Mas a ponte era falsa--e derradeira. Segui no cais. O cais era abaulado, Cais fingido sem mar á sua beira...
--Por sôbre o que Eu não sou ha grandes pontes Que um outro, só metade, quer passar Em miragens de falsos horizontes-- Um outro que eu não posso acorrentar...
Barcelona--Setembro de 1914