Portuguese poem
V
by Francisco Palha (1827–1890)
Como usa a formosa filha da formosa Andaluzia, sob a elegante mantilha pelos hombros lhe caía de negro e farto cabello a madeixa ondeada e crespa. Na cinturinha de vespa... Alto lá! De vespa, não; que é corriqueira a figura e tola a comparação.-- A cintura... Se lhe chamo só delgada--aqui d'el-rei! porque é prosa. Ah! Já sei. Delgadinha como um ramo que sustém duas laranjas... E da voz os sons tão finos com que os hei de comparar? Com voz d'anjos pequeninos, travêssos, loiros, meninos que andam no ceu a cantar, aos quaes não tira o chapeu este pobre filho d'Eva emquanto Deus o não leva a conhecel-os no ceu?!... Impossivel!... Pois com quê?...
Deixe-se lá d'essas franjas, ruim poeta! Você não sabe que a natureza faz coisas de tal belleza que um homem, se logra vêl-as, ha de pasmado ficar, e pasmar... pasmar... pasmar; mas não tentar descrevêl-as?!