Portuguese poem
O Sino
by Francisco Palha (1827–1890)
Dong!... Dong!... Dong!... N'estas auras subtis do fim do dia --descobri-vos, mortaes!--é Deus que passa. Dong!... Dong!... Dong!...
Desde a remota edade á edade hodierna Descrença e Fé por esse mundo fóra vão em perpetua luta caminhando. Da Sciencia os cartapacios consultando em Deus não crê, não crê na vida eterna quem da eterna sciencia tudo ignora. Sei d'alguns que não crêem... porque é moda... por ser qualquer idea contrabando em casco avariado. Finalmente, crêr, ou não crêr, a certos pouco importa, por isso que incommoda andar com seus botões pensando a gente no fim que ha de levar depois de morta.
Eu á Sciencia estranho e bom jarreta, eu que penso em morrer, por ser um vivo que fecha a mala e puxa da gorgeta, encontro ás minhas maguas lenitivo crendo que ambas as coisas não são pêta. Tudo em roda de mim é o grande effeito d'uma causa maior, cuja existencia dois principios envolve fatalmente; amor e omnipotencia: poder que salva; amor sempre clemente.
Isto me fique ao menos! Hei mudado de pensar e sentir bastantes vezes. Só não pude sentir nem ter pensado ser o mundo um curral, e nós--as rezes.