Portuguese poem
Como corres, arroio fugitivo?
by Gregório de Matos (1636–1696)
Como corres, arroio fugitivo? Adverte, pára, pois precipitado Corres soberbo, como o meu cuidado, Que sempre a despenhar-se corre altivo.
Toma atrás, considera discursivo, Que esse curso, que levas apressado, No taminho. que emprendes despenhado Te deixa morto, e me retrata ao vivo.
Porém corre, não pares, pois o intento, Que teu desejo conseguir procura, Logra o ditoso fim do pensamento.
Triste de um pensamento sem ventura! Que tendo venturoso o nascimento, Não acha assim ditosa a sepultura.