Portuguese poem
Como exalas, Penhasco, o licor puro
by Gregório de Matos (1636–1696)
Como exalas, Penhasco, o licor puro, Lacrimante a floresta lisonjeando, Se choras por ser duro, isso é ser brando, Se choras por ser brando, isso é ser duro.
Eu, que o rigor lisonjear procuro, No mal me rio, dura penha, amando; Tu, penha, sentimentos ostentando, Que enterneces a selva, te asseguro.
Se a desmentir objetos me desvio, Prantos, que o peito banham, corroboro De teu brotado humor, regato frio.
Chora festivo já, ó cristal sonoro, Que quanto choras, se converte em rio, E quanto eu rio, se converte em choro.