Portuguese poem
Corrente, que do peito desatada
by Gregório de Matos (1636–1696)
Corrente, que do peito desatada Sois por dois belos olhos despedida, E por carmim correndo desmedida Deixais o ser, levais a cor mudada.
Não sei, quando caís precipitada As flores, que regais, tão parecida, Se sois neves por rosa derretida, Ou se a rosa por neve desfolhada.
Essa enchente gentil de prata fina, Que de rubi por conchas se dilata, Faz troca tão diversa, e peregrina,
Que no objeto, que mostra, e que retrata, Mesclando a cor purpúrea, e cristalina, Não sei, quando é rubi, ou quando é prata.