Portuguese poem
Dama cruel, quem quer que vós sejais
by Gregório de Matos (1636–1696)
Dama cruel, quem quer que vós sejais, Que não quero, nem posso descobrir-vos, Dai-me agora licença de argüir-vos, Pois para amar-vos tanto me negais.
Por que razão de ingrata vos prezais, Não pagando-me o zelo de servir-vos? Sem dúvida deveis de persuadir-vos Que a ingratidão a formosenta mais.
Não há cousa mais feia na verdade; Se a ingratidão aos nobres envilece, Que beleza fará uma fealdade?
Depois que sois ingrata, me parece Torpeza hoje, o que ontem foi beldade E flor a ingratidão, que em flor fenece.