Portuguese poem
De uma dor de garganta adoecestes
by Gregório de Matos (1636–1696)
De uma dor de garganta adoecestes, E foram, Tisbe, quando vos sangrastes, Piques aquela dor, de que enfermastes, Rosas aquele sangue, que vertestes.
Oh que discretamente discorrestes No remédio, que à dor logo aplicastes. Pois por força nas rosas, que lançastes, Haviam de ir os piques, que tivestes.
Mas ai! que por meu mal desejo agora Um novo mal em vós, ó Tisbe minha; E se o pode alcançar, quem vos adora,
Peço, que suspendais essa meizinha, Que se ainda mais rosas lançais fora, Receio, que fiqueis posta na espinha.