Portuguese poem
Discreta e formosíssima Maria
by Gregório de Matos (1636–1696)
Discreta e formosíssima Maria, Enquanto estamos vendo a qualquer hora Em tuas faces a rosada Aurora, Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:
Enquanto com gentil descortesia O ar, que fresco Adônis te namora, Te espalha a rica trança voadora, Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza, da flor da mocidade, Que o tempo trota a toda ligeireza, E imprime em toda a flor sua pisada.
Oh não aguardes, que a madura idade Te converta em flor, essa beleza Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.