Portuguese poem
Dizei, queridos amores
by Gregório de Matos (1636–1696)
Dizei, queridos amores, dizei-me, sangrada estais? Jesus! porque derramais rubis de tantos valores? Valha-me Deus! ai que dores sinto no meu coração; vós sangradinha, e eu são! Se tenho a vida ferida, não sei, como tenho vida, tendo vós tanta aflição.
Dizei-me, quem vos sangrou, Mana do meu coração? qual foi a atrevida mão, que assim vos martirizou? não sei, se vos magoou. Porém romper um cristal ninguém pode fazer tal. Sem penoso detrimento, que inda que vá muito atento, sempre lhe há de fazer mal.