Versos Portuguese Gregório de Matos Debuxo singular, bela pintura

Portuguese poem

Debuxo singular, bela pintura

by (1636–1696)

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Debuxo singular, bela pintura, Adonde a Arte hoje imita a Natureza, A quem emprestou cores a Beleza, A quem infundiu alma a Formosura.

Esfera breve: aonde por ventura O Amor, com assombro, e com fineza Reduz incompreensível gentileza, E em pouca sombra, muita luz apura.

Que encanto é este tal, que equivocada Deixa toda a atenção mais advertida Nessa cópia à Beleza consagrada?

Pois ou bem sem engano, ou bem fingida No rigor da verdade estás pintada, No rigor da aparência estás com vida.