Portuguese poem
Meu Capitão dos Infantes
by Gregório de Matos (1636–1696)
Meu Capitão dos Infantes, que por vossas boas artes sois homem de muitas partes nascendo só em Abrantes: por vossos ditos galantes, discretos, e cortesãos, e por largueza de mãos a todos nos pareceis não somente João dos Reis, senão o Rei dos Joãos.
O Príncipe, que de juro senhoreia os corações (como lá disse Camões) que sois vós, o conjeturo: tanto nisto me asseguro, que em ver como procedeis, presumo, que descendeis dalgum Príncipe da França donde tendes por herança esse apelido dos Reis.
A boa arte de reinar em um coração rendido, e não seres vós nascido, não se pudera imitar: vós nos podeis ensinar com paridades, e apodos os bons meios, e os bons modos, com que todo o mundo embaça, porque sempre estais de graça, por fazeres graça a todos.
O generoso da mão, o coração varonil, onde vos cabe o Brasil, vos sobeja o coração: com pobres a compaixão, cos ricos o liberal, na amizade tão leal, na palavra tão muciço para mim tudo é feitiço, sendo cousa natural.