Portuguese poem
Ó tu do meu amor fiel traslado
by Gregório de Matos (1636–1696)
Ó tu do meu amor fiel traslado Mariposa entre as chamas consumida, Pois se à força do ardor perdes a vida, A violência do fogo me há prostrado.
Tu de amante o teu fim hás encontrado, Essa flama girando apetecida; Eu girando uma penha endurecida, No fogo, que exalou, morro abrasado.
Ambos de firmes anelando chamas, Tu a vida deixas, eu a morte imploro Nas constâncias iguais, iguais nas chamas.
Mas ai! que a diferença entre nós choro, Pois acabando tu ao fogo, que amas, Eu morro, sem chegar à luz, que adoro.