Versos Portuguese Gregório de Matos Ó Soberana Comida!

Portuguese poem

Ó Soberana Comida!

by (1636–1696)

Listen in the reader

À mesa do Sacramento cheguei, e vendo a grandeza admirei tanta beleza, dei graças de tal portento: com santo conhecimento só então folguci ter vida, pois vendo-a convosco unida na flama de tanta calma disse (recebendo-a n'alma) Ó Soberana Comida!

Naquela mesa admirando anda a graça tanto a rodo, que dando-se a todos, todo vos estais comunicando: e de tal modo exaltando vosso ser onipotente, que quando estais tão patente nessa nevada pastilha, vos louvam por maravilha, Ó maravilha excelente!

Como num excelso trono realmente verdadeiro, na Hóstia estais todo inteiro, Senhor, por maior abono: se por ser das almas dono vos empenhais tão patente, hei de apelidar contente com a voz ao céu subida, que esse Pão me seja vida, Pois em vós é acidente.

Neste excesso do poder só podia o majestoso obrar ali de amoroso, o que chegou a emprender: eu, que venho a merecer lograr a Deus por comida, tenho por cousa sabida neste excesso do Senhor serem delíquios do amor, O que em mim eterna vida.