Versos Portuguese Gregório de Matos Oitavas canto agora por preceito

Portuguese poem

Oitavas canto agora por preceito

by (1636–1696)

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Oitavas canto agora por preceito, Sem que na oitava possa diligente Louvar as excelências de um sujeito, Que pode ser em tudo o melhor Lente: Mas como em mim não pode ser perfeito O canto, ficará menos cadente A música de Apolo, e de Talia, Que não há cantar bem sem melodia.

Se do tempo perfeito o meu compasso A compasso cantara neste canto, Não faltara à garganta agora o passo, E em passos de garganta fora espanto: Porém se em canto nunca da mão passo Como posso afinar no canto tanto, Que me atreva a cantar vossa ciência, Sem que falte ao compasso na cadência.

Canora a voz tomara, e tão suave, Que em passos largos, e ecos repetidos Sonora requintasse aquela clave, Em que fossem meus ecos esparcidos: Porém se o vosso nome o canto grave Eleva suspendendo os mais sentidos, Com a voz, que formar o meu alento Chegar posso tarnbém ao Firmamento.

Discutindo esse globo de ciências No mapa desta esfera Americana, Acho um todo formado de excelências Maravilha fatal em forma humana: De modo se une, e formam as essências Que o natural as graças vos germana: Mas que muito se vós no largo mundo Sois da graça, e ciências tão fecundo.

Se emulações tiraram Luzimentos, Que soube a natureza vincular-vos, Apolo não perdera os pensamentos, Temendo-se na empresa de louvar-vos: Suspende a admiração os vãos intentos Ao discurso, que emprende realçar-vos, Que a Musa enfraquecida, a pena leve Nunca diz, o que sente, no que escreve.

Deixem-se os Gregos já do seu Eliano, Condenam a silêncio um Xenofonte, Não louve Alexandria Herodiano, Que na Bahia tem Timocreonte: O qual pode ensinar Quintiliano, Camões, Terêncio, Ênio, Anacreonte, Platões, Anaximandros, e Musés, Acusilaus, Priscianos, e a Timéus.

Nos anos climatéricos glorioso Vosso nome será tão dilatado, Que suba, onde o decrépito invejoso O veja nas estrelas colocado: Sereis novo Planeta luminoso, E Sol em nova esfera sublimado, Que, a quem o mundo singular aclama, Só descansa no céu com ele a fama.

Separar vossas partes, e Louvores Absurdo fora certo, e averiguado, Que à grandeza dos orbes superiores Ninguém pode pôr termo limitado: Receba o infinito por maiores, Quem foi por singular ao mundo dado, Com que as partes publica deste modo, Quem de todo admirado admira o todo.

Cesse pois em louvar-vos minha pena, Que impossível será, que sem engano Presuma, que fazendo esta novena Vos possa ponderar em todo um ano: Este novo, e felice, que hoje ordena O Céu, lograi, Senhor, sem tanto dano, Porque sejam em vós os mais gloriosos Aqueles, que vos faltam de invejosos.