Versos Portuguese Gregório de Matos Perdoaime, meus amores

Portuguese poem

Perdoaime, meus amores

by (1636–1696)

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Como assim, Clóri divina, ramilhete rejeitais? mas é porque imaginais ser dele a melhor bonina: Vede bem, que Amor ensina, a que vos mande essas flores; não me negueis os favores, quando desejo acertar; e se eu erro em vos amar, Perdoai-me, meus amores.

Eu, Clóri, tanto que vi, que o não estimáveis muito, de que não fizera fruito pela flor o conheci: logo me compadeci da figa por vida minha, porquanto já certo tinha, que nesse sol a estalar era força o acabar Do ramilhete a figuinha.

Dai-me licença, que diga, que, a quem dá flores a molhos, meteis a figa nos olhos em não aceitar a figa: porém antes que prossiga, no que a afeição me encaminha, digo, se dito não tinha, sem que seja fora d'arte, que flor não vi em melhor parte, Que onde estais vós, vida minha.

Minha Clóri, e meu amor, esse ramilhete enfim peço aceiteis, porque assim lhe ficais levando a flor: e então vendo-se, Senhor à vista de tais favores em mãos tão superiores, é certo, vendo-lhe a figa, que não faltará, quem diga, Uma figa para as flores.