Portuguese poem
Por entre o Beberibe
by Gregório de Matos (1636–1696)
Por entre o Beberibe, e o Oceano Em uma areia sáfia, e lagadiça Jaz o Recife povoação mestiça, Que o Belga edificou ímpio tirano.
O Povo é pouco, e muito pouco urbano, Que vive à mercê de uma lingüiça, Unha de velha insípida enfermiça, E camarões de charco em todo o ano.
As damas cortesãs, e por rasgadas Olhas podridas, são, e pestilências, Elas com purgações, nunca purgadas.
Mas a culpa têm vossas reverências, Pois as trazem rompidas, e escaladas Com cordões, com bentinhos, e indulgências.