Versos Portuguese Gregório de Matos Por vida do meu Gonçalo

Portuguese poem

Por vida do meu Gonçalo

by (1636–1696)

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Por vida do meu Gonçalo, Custódia formosa, e linda, que eu não vi Mulata ainda, que me desse tanto abalo: quando vos vejo, e vos falo, tenho um pesar grande, e vasto do impedimento, que arrasto, porque pelos meus gostilhos fora eu Pai dos vossos Filhos antes que vosso Padrasto.

O diabo sujo, e tosco me tentou como idiota a pecar com Maricota, para não pecar convosco: mas eu sou homem tão osco, que a ter notícia por fama, que lhe mamastes a mama, e eu tinha tão linda Nora, então minha sogra, fora, e não fora minha Dama.

Estou para me enforcar, Custódia, desesperado, e o não tenho executado, porque isso é morrer no ar: quem tanto vos chega amar, que quer por mais estranheza obrar a maior fineza de morrer, porque a confirme, morra-se na terra firme, se quer morrer com firmeza.

Já estou disposto d'agora a meter-vos num batel, e dar convosco em Argel por casar com minha Nora: não vos espante, Senhora, que me vença tal furor, que eu sei, que em todo o rigor o mesmo será, e mais é ir ser cativo em Salé, que ser cativo do Amor.