Versos Portuguese Gregório de Matos Pois me deixais pelo jogo

Portuguese poem

Pois me deixais pelo jogo

by (1636–1696)

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Pois me deixais pelo jogo, licença me haveis de dar para vos satirizar como amigo.

Fará isso um inimigo, deixares-me miserando, por estar sempre beijando o ás de copas.

Quando andáveis lá nas tropas de tanta campanha armada, jogáveis jogo de espada ou da espadilha?

Quem vos meteu a potrilha, para estares noite, e dia na triste tafularia de um cruzado?

Não é melhor desenfado passares à Cajaíba, onde o jogo vos derriba e escangalha?

É mau ver esta canalha Clara, Bina, e Lourencinha, a quem dizeis a gracinha de soslaio?

É mau encaixar-lhe o paio encostado aqui na torre, e ela dizer-vos, que morre de olho em alvo?

É mau meteres o calvo entre tanta pentelheira, e sair co'a cabeleira encrespadinha?

Que mau é Mariquitinha, quando está com seus lundus fazer-vos com quatro cus o rebolado?

Quem vos chamar home honrado, não tem honra, nem razão, que vós sois um toleirão, e um Pasguate.

Mas se deixais por remate esse jogo, esse monturo sois Príncipe, que de juro senhoreia.

Sois o Mecenas da veia deste Poeta nefando, que aqui vos está esperando com jantar, merenda, e ceia.