Portuguese poem
Preso está no Limoeiro
by Gregório de Matos (1636–1696)
Preso está no Limoeiro repicando uma corrente certo Capitão valente, por matar um camareiro: e se o caso é verdadeiro, e foi ele o matador, pois o maior ao menor usurpa, arrasta, e convence, quem um camareiro vence, será camareiro mor.
Rompeu a testa a um cortiço, que estava em certa calçada, cuida ele, que não fez nada, e à rua fez mau serviço; porque tendo aviso disso pelo favônio, que entrava, a gente, que ali morava, enfadada do vapor, que exalava o servidor, por mal servida se dava.
Como os miolos saltaram da cabeça, que ofenderam, assim as novas correram, té que à cadeia chegaram: logo então se despacharam os Morenos da corrente, e o caso era tão recente, que sem mais informação prenderam ao Capitão, porque cheirava a valente.
Entre tanta cachaporra veio à prisão, que o maltrata, porque quem com ferro mata, quer Deus, que com ferro morra: e porque nada o socorra, na moxinga o entupiram, onde os mais dos presos viram, que por serviço do Céu, pois que o vidrado ofendeu, vidrados o perseguiram.
Lastimou-se o mundo disso, pois quantos serviços fez como homado Português. perdeu por um mau serviço: hoje que livre o toutiço já penteia o pêlo louro, ganhou (fora vá de agouro) por indústria, e por santaca uma Noiva de tambaca com dote de prata, e ouro.
Mas ficou em tão ruim fé este sucesso infeliz, que nenhum homem já diz, servidor de Vossarcê: item qualquer homem, que publicar, que é servidor do Fidalgo, e do Senhor, há de vir, com maus feitiços o Capitão dos serviços a quebrar-lhe o servidor.