Portuguese poem
Quando a morte de Abner David sentia
by Gregório de Matos (1636–1696)
Quando a morte de Abner David sentia, Mandou a seus vassalos, que chorassem, E que em lágrimas todos publicassem Quanto o Reino lhe deve, e o Rei devia.
Cada qual seu tormento repetia, Sem querer, que os dos outros o igualassem E todos procuravam, que mostrassem As lágrimas dilúvio, a dor porfia.
Pois se a morte de Abner se sente tanto, Só por ser General valente, e forte, Que move o Reino, e Rei a tanto pranto:
Lamente Portugal, e sinta a Corte A morte de Marialva, porque espanto Foi do mundo, e o pudera ser da Morte.