Portuguese poem
Senhor Doutor: muito bem-vinda seja
by Gregório de Matos (1636–1696)
Senhor Doutor: muito bem-vinda seja A esta mofina, e mísera cidade Sua justiça agora, e eqüidade, E Letras, com que a todos causa inveja.
Seja muito bem-vindo: porque veja O maior desbarate, e iniqüidade, Que se tem feito em uma, e outra idade Desde que há tribunais, e quem os reja.
Que me há de suceder nestas Montanhas Com um Ministro em Leis tão pouco visto, Como previsto em trampas, e maranhas?
É Ministro de império, mero, e misto, Tão Pilatos no corpo, e nas entranhas, Que solta um Barrabás, e prende um Cristo.