Portuguese poem
Senhor: se quem vem, não tarda
by Gregório de Matos (1636–1696)
Senhor: se quem vem, não tarda, vim eu em boa ocasião, pois da Guarda o capitão é Anjo da minha guarda: vossa presença galharda, vossa dócil natureza bem mostram, que sois na empresa da minha fortuna imensa capitão pela defensa Anjo pela gentileza.
Obrigado a tão bom trato, que em mim é lance infalível, o desempenho impossível temo, que me faça ingrato: mas como já me precato de tão previsto desar, que eu não basto a desviar, sirva de escusa, ou perdão, que não falta à gratidão, quem se peja de faltar.
Na Corte em era oportuna vistes a minha abastança, hoje vereis a mudança da minha infausta fortuna: de estrela tão importuna dera uma justa querela, porque hajais de corrige-la: mas no mundo é já patente, que como sábio, e prudente dominastes minha estrela.
Mudei-me de ponto a ponto de Portugal ao Brasil, lá deixo infortúnios mil, acho cá ditas sem conto: co’as ditas é, que de ponto a desgraça lá passada, e a graça considerada está em vós, meu capitão, que a dita está na eleição da sombra, a que está chegada.