Versos Portuguese Gregório de Matos Soberano Rei da Glória

Portuguese poem

Soberano Rei da Glória

by (1636–1696)

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Numa cruz vos exaltastes, meu Deus, para padecer, e nas ânsias de morrer ao Eterno Pai clamastes: sangue com água brotastes do lado para memória, e como consta da História, quisestes morrer constante por serdes tão fino amante, Soberano Rei da Glória.

Se na glória, em que reinais, amante vos concedeis bem mostrais, no que fazeis, que extremosamente amais: mas se em pão vos disfarçais, dando-vos por alimento, pergunta o entendimento, onde assistis com mais luz? mas direis, doce Jesus Que nesse doce sustento.

Sabendo enfim, que morríeis, amante vos entregastes, e no Horto, quando orastes ânsias de morte sentíeis: já, divino Amor, sabíeis, da vossa morte o tormento, e já desde o nascimento todo o saber comprendestes, porque, Senhor, já nascestes Sendo todo entendimento.

Vivas lembranças deixastes da vossa morte, Senhor, e para maior amor mesmo em lembrança ficastes: numa ceia apresentastes vosso corpo em tanta glória, que para contar a história da vossa morte, e tormento, no divino Sacramento Quisestes ficar memória.