Versos Portuguese Gregório de Matos Sol, que estando abreviado

Portuguese poem

Sol, que estando abreviado

by (1636–1696)

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Sendo Sol, que dominais dos céus a máquina fera, em tão limitada esfera, como esse Sol ostentais? creio, que a entender nos dais, meu Redentor extremado, que em lugar tão limitado só o amor caber se atreve como num círculo breve Sol, que estando abreviado

em nesse lugar tão breve vemos com tanto arrebol abrasar-se tanto sol nos epiciclos da neve: muito a vosso amor se deve, pois como Sol no nascente pelo cristal transparente divinamente ilustrais, e todo vos abrasais Nesse cândido Oriente.

Todo neve na brancura, todo sol, no que brilhais, como sol nos abrasais, sendo neve na frescura: mas tanto o divino apura no cristal o transparente, que ali fazendo patente o quanto estais empenhado, de fino amor abrasado Abonais o mais ardente.

Nascem desempenhos tais desses divinos primores, que em requintados amores todo a nós nos dedicais: mas bem que vos empenhais, vejo-vos mui bem trajado nessa gala de encarnado, que tomastes de Maria, agora por bizarria Ostentando o mais nevado.