Portuguese poem
Senhor; os Padres daqui
by Gregório de Matos (1636–1696)
Senhor; os Padres daqui por b quadro, e por b mol cantam bem ré mi fá sol, cantam mal lá sol fá mi: a razão, que eu nisto ouvi, e tenho para vos dar, é, que como no ordenar fazem tanto por luzir, cantam bem para subir, cantam mal para baixar.
Porém como cantariam os pobres perante vós? tão bem cantariam sós, quão mal, onde vos ouviam: quando o fabordão erguiam cad'um parece, que berra, e se um dissona, o outro erra, mui justo me pareceu, que sempre à vista do Céu fique abatido, o que é terra.
Os Padres cantaram mal como está já pressuposto, e inda assim vos deram gosto, que eu vi no riso o sinal. foi-se logo cada qual direito às suas pousadas a estudar nas tabuadas da música os sete signos, não por cantar a Deus hinos, mas por vos dar badaladas.
Vós com voz tão doce, e grata enleastes meus sentidos, que ficaram meus ouvidos, engastados nessa prata: tanto o povo se desata ouvindo os vossos espritos! que com laudatórios gritos dou eu fé, que uma Donzela disse, qual outra Marcela, o cântico Benedictus.