Portuguese poem
A Uns Olhos Azues
by João de Deus
Cahe a folha da rosa pudibunda, Cahe a rosa da face virginal, Cahe das nuvens a aguia moribunda, Cahe o sol na montanha occidental.
Cahe a onda na praia, cahe do somno O poeta na luz; e cahe das mãos Dos despostas o sceptro, elles do throno, Como a seus pés cahiram seus irmãos!
Cahe dos labios o riso; cahe dos olhos A lagrima tambem, que d'alma sahe; Cahe a rocha no mar, cahe nos abrolhos A flôr de liz; de louro a folha cahe.
Cahe do céo a centelha incendiaria, A nuvem cahe se um sopro Deus lhe dá, Cahe ante o dia a noite solitaria Como o falso Dagon ante Jehovah.
Cahe tudo, flôr! cahe tudo; eu só não cáio: Mais do que um rei, que o sol, igual a Deus, Cahir, mulher! só posso á luz d'um raio Se elle cahir do céo dos olhos teus!
Luso.
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