Portuguese poem
Flôr E Borboleta
by João de Deus
Tu vôas, borboleta! e que eu não possa Voar, amor! Diversa como é n'isto sorte nossa! Dizia a flôr.
No valle, ambas irmãs, nascidas fomos; És como eu sou; E amamo-nos, e flôres ambas somos, Mas eu não vôo.
A ti leva-te o ar; prende-me a terra A mim; e eu Como hei-de perfumar-te em valle e serra, E lá no céo!...
Mais longe inda tu vás, por outras flôres... Girar, talvez, Em quanto a minha sombra, meus amores! Gira a meus pés!
E vens-me vêr depois, mas vaes-te embora, Sabendo, assim, Que em lagrimas me encontra sempre a aurora! Pobre de mim!
Acabem-se estas mágoas, meu thesoiro E meu amor! Cria raiz ou dá-me as azas de oiro, Celeste flôr!
V. HUGO.
Coimbra.
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