Portuguese poem
Gaspar
by João de Deus
Ora se não sei eu quem foi teu pai! Fidalgo: sei perfeitamente bem. O que eu não sei, Gaspar! é o que vem N'esta vida fazer quem já lá vai.
Já se vê que é aos paes que a gente sái. Tal pai, tal filho; sim, duvída alguem Que um pai se é como o teu, homem de bem, Tu és homem de bem como teu pai?
D'isto não ha quem possa duvidar. Mas queres um conselho que eu te dou? Não mexas n'isso... cala-te, Gaspar!
Que eu, cá por mim, bem sabes como eu sou, Mas é que outro talvez mande tirar Certidão de baptismo a teu avô.
Coimbra.
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Deixa que ao romper d'alva o cravo abrindo, Á rosa envie o aroma; E lá quando alta noite a lua assoma, O rouxinol carpindo!
Que pela face a lagrima resvale De quem no exilio geme; E quando a propria sombra o homem teme, Que a mãi seu filho embale.
Deixa que ao espaço immenso os olhos lance O sol antes que expire; Que pelo norte a bussola suspire E nelle só descance.
Amam leões e tigres. Não ha nada, Anjo! que a amor se esconda. Beija a pomba o seu par; e abraça a onda A rocha inanimada.
Deixa que a nuvem negra tolde a lua Se a leva a tempestade; Deixa que eu te ame a ti, cara metade, D'esta alma toda tua!
Coimbra.
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