Portuguese poem
I
by João de Deus
Vi-te uma vez e (novo Extranho caso foi!) Por entre tanto povo... Tanta mulher... Suppõe
Que mãe estremecida Via o seu filho andar Sobre muralha erguida, Onde o fizesse ir dar
Aquelle remoinho, Aquella inquietação D'um pobre innocentinho Ainda sem razão!
E ora estendendo os braços... Ora apertando as mãos... Vendo-lhe o gesto, os passos, Quantos esforços vãos,
O triste na cimalha Faz por voltar atraz... Sem vêr como lhe valha! A vêr o que elle faz!
Pallida, exhausta, muda, Os olhos uns tições, Com que, a tremer, lhe estuda As mesmas pulsações...
(Porque não é mais fundo O mar no equador, Nem é todo este mundo Maior do que esse amor!
Mais vasto, largo e extenso Todo esse céo tambem Do que o amor immenso D'um coração de mãe!)
Assim, n'essa agonia... N'essa intima avidez... É que entre os mais te eu ia Seguindo d'essa vez!
Porque te adoro!... a ponto, Que ainda hoje, crê! Escuto e oiço e conto Os grãos de arêa até,
Que tu, mulher! andando Fazias estalar Já mesmo longe e... quando Deixei de te avistar!