Versos Portuguese João de Meneses Preguntaysme de que moyro

Portuguese poem

Preguntaysme de que moyro

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Outro vilançete seu estando doente porque lhe perguntaram que doença era a sua.

Preguntaysme de que moyro, nam no ouso de dizer porqu'ey medo de vyver.

Se menos paixam me desse podermy'a queyxar dela, mas dizerse nem sofrela tudo quys que nam pudesse. Para ter em quem tevesse e mostrase seu poder, me deu vyda sem vyver.

Meu mal he deçendimento emcobrir donde deçende, he paixam que nam s'entende nem sabe seu fundamento. Perdido contentamento do que foy e ha de ser e muyto mais de viver.

A dor he em sy mortal, s'a ventura m'ajudasse, para que me liberdasse de tantos males huum mal. Mas a causa prinçipal em qu'estaa ser e nam ser, nam se leyxa comprender.

Cobressem'o coraçam de tristezas encubertas, tem de dores muyto çertas muy yncerto galardam. E por mais condenaçam, estando pera morrer nam me posso arrepender.

Se sospeita me tocasse que meu mal se conhecia, quando m'ela nam matasse eu por mym me mataria. Que mor perigo seria depoys de dito viver, do que calando, morrer.

Fim.

Nam vos de meu mal sospeyta que o causam desfavores, nem tenho payxam d'amores nem culpa de contra feyta. Mas vy a rrezam sogeyta de quem lh'a d'obedeçer o mais nam quero dizer.