Portuguese poem
Poys nam tenho que perder
Cantigua sua andando ele e o prior do crato d'amores com dona guyomar de meneses e fengio que o fazia pelo jogo.
Ryfam.
Poys nam tenho que perder, nem espero de ganhar, para que quero juguar?
O joguo sempre traz dano a quem joga; mais verdade o ganho vem por engano, por bulrras e falsydade. E de tal enfermydade poucos podem escapar, se nam deyxam de juguar.
O perdido e o ganhado, tudo vay como nam deve; o que menos dita teve foy melhor aventurado. leva menos emprestado tera pouco que paguar quando quer que o tornar.
Hũa joya preçiosa, cujo era, que perdy, sendo falssa e enganosa, nunca cousa mays senty. Porem nela conheçy, co triste que a levar a vyda lh'a de custar.
Com mas cartas, ma fegura, com maos dados ma levou; ambos temos maa ventura, quem perdeo e quem ganhou. Eu porque m'ela deyxou, o triste que a levar porque çedo o a de deyxar.
Fim.
Levouma mas, nam por ter melhores trunfos nem mais, com muyto poucos metays, com muyto menos saber; Se nam soo por ela ser tal que nunca pod'estar hum'ora sem se mudar.