Versos Portuguese Luís Delfino Horrida domus

Portuguese poem

Horrida domus

by (1834–1910)

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Chego: entrei. — Quatro cães emagrecidos, Sujos, de instintos maus, saltam ladrando: Em torno, um quadro à Holbein, ar miserando, Tudo faminto: os trastes carcomidos.

Grossos de pó, estão como aturdidos, Em confuso tropel: a custo ondeando, Num choroso miar, e o olhar não brando Dois gatos vêm ariscos e vencidos;

Com as unhas o chão desnu rompendo, Sob um raio do sol alçando o dorso, Rosnam baixinho, à luz adormecendo.

À sombra, ao lado oposto enfim me torço: E eis que vejo a mexer-se um corpo horrendo, Um trapo humano a rir num longo esforço!...