Portuguese poem
I (... et vis inimica propinquat)
by Luís Delfino (1834–1910)
... et vis inimica propinquat. Virgílio — Eneida
Um murmurinho lívido e tristonho, Olha que cresce, engrossa, ecoa... Acorda: Chega uma nuvem do teu lago à borda, Pode nele cuspir tufão medonho;
Antes que finde o teu formoso sonho, Antes que a lira, em que o luar transborda Do hino azul de tua alma, a extrema corda Rompa, — foge: inda aos pés teu céu suponho.
Quebrado o encanto à límpida lagoa, Que tem sido de sóis eterna senda, Sai: a espuma inda é branca: ala-te, — voa.
Enquanto a alvura tua o pó não tisne, Enquanto o abismo as asas te não prenda; Abre-as, é tempo de partir: vai, Cisne...