Versos Portuguese Luís Delfino Idílios matinais

Portuguese poem

Idílios matinais

by (1834–1910)

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... sunt numina amanti...

Tibullo — Elegia

I – Em Baixo Vem. — Entremos por estas alamedas, Onde a aurora amolece a treva a custo: Leva-te o corpo um furacão de sedas, Que vão cantando e zombam do teu susto.

Sim!... teu palor — é cedo, há frio — é justo. O mais... Vê bem: as árvores ´stão quedas, Só as aves, que saltam das veredas, Dão um gesto ardiloso a cada arbusto.

Daqui a instante, ali na volta, um manto De luz verás cobrir o sonorento Rio, a artística ponte, o espaço; a um canto,

À esquerda, ao sol, num seixo, inculto assento Terás, enquanto o ar te aroma, enquanto Rola em teus olhos rindo o firmamento!...

II – Em Cima Olha além, para cima do penedo: Vês a linha que vai fazendo o fumo, Nodoando a luz, riscando o ambiente a prumo? Saibamos quem madruga ali tão cedo.

Ora!... não digas não... não tenhas medo; Pelas pisadas acharemos rumo: Há qualquer trilho oculto entre o arvoredo... Vamos subir... subamos, em resumo.

Embora traço algum recente o indique, É irmos: o teu braço ao meu apóia, Não penses tu que o sol te prejudique;

E enquanto eu vou mostrar-te aquela jóia Feita de palha e quatro paus a pique, Mostra em ti um retrato em pé de Goya.