Portuguese poem
Jesus ao colo de Madalena
by Luís Delfino (1834–1910)
A Guilherme Bellegarde
Jesus expira, o humilde e grande obreiro!... Sobem já, pela cruz acima, escadas; E nos cravos varados do madeiro Batem os malhos, cruzam-se as pancadas.
Ouve-se o choro em torno. — As mãos primeiro, Inertes, caem no ar dependuradas; A fronte oscila; arqueia o tronco inteiro Nos braços das mulheres desgrenhadas.
Soltam-se os pés. — Aumenta o pranto e a queixa. Só Madalena ao oiro da madeixa Limpa-lhe a face, que de manso inclina.
E no meio da lágrima mais linda, Com o dedo erguendo a pálpebra divina, Busca ver se Ele a vê... beijando-o ainda!...