Portuguese poem
Julga-me a gente toda por perdido
Julga-me a gente toda por perdido, Vendo-me, tão entregue a meu cuidado, Andar sempre dos homens apartado, E de humanos commercios esquecido.
Mas eu, que tenho o mundo conhecido, E quasi que sôbre elle ando dobrado, Tenho por baixo, rustico, e enganado Quem não he com meu mal engrandecido.
Vá revolvendo a terra, o mar, e o vento, Honras busque e riquezas a outra gente, Vencendo ferro, fogo, frio e calma.
Que eu por amor sómente me contento De trazer esculpido eternamente Vosso formoso gesto dentro da alma.