Portuguese poem
Lembranças, que lembrais o bem passado
Lembranças, que lembrais o bem passado Para que sinta mais o mal presente, Deixae-me, se quereis, viver contente, Morrer não me deixeis em tal estado.
Se de todo, comtudo, está do Fado, Que eu morra de viver tão descontente, Venha-me todo o bem por accidente, E todo o mal me venha por cuidado.
Que muito melhor he perder-se a vida, Perdendo-se as lembranças da memoria, Pois fazem tanto damno ao pensamento.
Porque, em fim, nada perde quem perdida A esperança tẽe ja daquella gloria Que fazia suave o seu tormento.