Portuguese poem
Lembranças saudosas, se cuidais
Lembranças saudosas, se cuidais De me acabar a vida neste estado, Não vivo com meu mal tão enganado, Que não espere delle muito mais.
De longo tempo ja me costumais A viver de algum bem desesperado: Ja tenho co'a Fortuna concertado De soffrer os tormentos que me dais.
Atada ao remo tenho a paciencia Para quantos desgostos der a vida; Cuide quanto quizer o pensamento.
Que pois não posso ter mais resistencia Para tão dura quéda, de subida, Aparar-lhe-hei debaixo o soffrimento.