Portuguese poem
No mundo poucos annos e cansados
No mundo poucos annos e cansados Vivi, cheios de vil miseria e dura: Foi-me tão cedo a luz do dia escura, Que não vi cinco lustros acabados.
Corri terras e mares apartados, Buscando á vida algum remedio ou cura: Mas aquillo que, em fim, não dá ventura Não o dão os trabalhos arriscados.
Criou-me Portugal na verde e chara Patria minha Alemquer; mas ar corruto, Que neste meu terreno vaso tinha,
Me fez manjar de peixes em ti, bruto Mar, que bates a Abássia fera e avara, Tão longe da ditosa patria minha.