Portuguese poem
No regaço de mãe Amor estava
No regaço de mãe Amor estava Dormindo tão formoso, que movia O coração que mais isento o via; E a sua propria mãe de amor matava.
Ella, co'os olhos nelle, contemplava A quanto estrago o mundo reduzia: Elle porém, sonhando, lhe dizia Que todo aquelle mal ella o causava.
Soliso que, graduado em seus amores, De saber de ambos mais teve a ventura, Assi soltou a dúvida aos pastores:
Se bem me ferem sempre sem ter cura Do menino os ardentes passadores, Mais me fere da mãe a formosura.