Portuguese poem
Tomava Daliana por vingança
Tomava Daliana por vingança Da culpa do pastor que tanto amava, Casar com Gil vaqueiro; e em si vingava O êrro alheio, e perfida esquivança.
A discrição segura, a confiança Das rosas que o seu rosto debuxava, O descontentamento lhas mudava; Que tudo muda huma aspera mudança.
Gentil planta disposta em sêcca terra; Lindo fructo de dura mão colhido; Lembranças de outro amor, e fé perjura,
Tornárão verde prado em serra dura; Interêsse enganoso, amor fingido, Fizerão desditosa a formosura.