Versos Portuguese Machado de Assis A Musa, que inspira meus tímidos cantos

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A Musa, que inspira meus tímidos cantos

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A Musa, que inspira meus tímidos cantos, É doce e risonha, se amor lhe sorri; É grave e saudosa, se brotam-lhe os prantos. Saudades carpindo, que sinto por ti.

A Musa, que inspira-me os versos nascidos De mágoas que sinto no peito a pungir, Sufoca-me os tristes e longos gemidos, Que as dores que oculto me fazem trair.

A Musa, que inspira-me os cantos de prece, Que nascem-me d’alma, que envio ao Senhor. Desperta-me a crença, que às vezes ‘dormece Ao último arranco de esp’ranças de amor.

A Musa, que o ramo das glórias enlaça, Da terra gigante — meu berço infantil, De afetos um nome na idéia me traça, Que o eco no peito repete: — Brasil!

A Musa, que inspira meus cantos é livre, Detesta os preceitos da vil opressão, O ardor, a coragem do herói lá do Tibre, Na lira engrandece, dizendo: — Catão!

O aroma de esp’rança, que n’alma recende, É ela que aspira, no cálix da flor; É ela que o estro na fronte me acende, A Musa que inspira meus versos de amor!