Versos Portuguese Machado de Assis A Palmeira

Portuguese poem

A Palmeira

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Versão 1

Como é linda e verdejante Esta palmeira gigante Que se eleva sobre o monte! Como seus galhos frondosos S’elevam tão majestosos Quasi a tocar no horizonte!   Ó palmeira, eu te saudo Ó tronco valente e mudo Da natureza expressão! Aqui te venho offertar Triste canto, que soltar Vae meu triste coração.   Sim, bem triste, que pendida Tenho a fronte amortecida Do pesar acabrunhada! Sofro os rigores da sorte, Das desgraças a mais forte Nesta vida amargurada!   Como tu amas a terra Que tua raiz encerra, Com profunda discrição; Tambem amei da donzella Sua imagem meiga e bella, Que alentava o coração.   Como ao brilho purpurino Do crepusc’lo matutino Da manhã o doce albor; Também amei com loucura Ess’alma toda ternura, Dei-lhe todo o meu amor!   Amei!... mas negra traição Perverteu o coração Dessa imagem da candura! Soffri então dor cruel, Sorvi da desgraça o fel, Sorvi tragos d’amargura!  ........................................ Adeos, palmeira! ao cantor Guarda o segredo de amor; Sim, calla os segredos meus! Não reveles o meu canto, Esconde em ti o meu pranto Adeus, ó palmeira!... adeus! Rio de Janeiro 6 de Janeiro de 1855. Assis.

(Transcrito conforme grafia da primeira publicação Na Marmota Fluminense, n. 540, p. 3, 16 de janeiro de 1855).

Versão 2

Como é linda e verdejante Esta palmeira gigante Que se eleva sobre o monte! Como seus galhos frondosos S’elevam tão majestosos Quase a tocar no horizonte!

Ó palmeira, eu te saúdo, Ó tronco valente e mudo, Da natureza expressão! Aqui te venho ofertar Triste canto, que soltar Vai meu triste coração.

Sim, bem triste, que pendida Tenho a fronte amortecida, Do pesar acabrunhada! Sofro os rigores da sorte, Das desgraças a mais forte Nesta vida amargurada!

Como tu amas a terra Que tua raiz encerra, Com profunda discrição; Também amei da donzela Sua imagem meiga e bela, Que alentava o coração.

Como ao brilho purpurino Do crepúsc’lo matutino Da manhã o doce albor; Também amei com loucura Ess’alma toda ternura Dei-lhe todo o meu amor!

Amei!... mas negra traição Perverteu o coração Dessa imagem da candura! Sofri então dor cruel, Sorvi da desgraça o fel, Sorvi tragos d’amargura!

........................................ Adeus, palmeira! ao cantor Guarda o segredo de amor; Sim, cala os segredos meus! Não reveles o meu canto, Esconde em ti o meu pranto Adeus, ó palmeira!... adeus!

(Transcrito conforme grafia da segunda publicação em Poesias Dispersas).