Versos Portuguese Machado de Assis A um legista

Portuguese poem

A um legista

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Tu foges á cidade? Feliz amigo! Vão Comtigo a liberdade, A vida e o coração.

A estancia que te espera É feita para o amor

Do sol co'a primavera, No seio de uma flôr.

Do paço de verdura Transpõe-me esses humbraes; Contempla a architectura Dos verdes palmeiraes.

Esquece o ardor funesto Da vida cortezã; Mais vai que o teu Digesto A rosa da manhã.

Rosa... que se enamora Do amante colibri, E desde a luz da aurora Os seios lhe abre e ri.

Mas Zephyro bregeiro Oppõe ao beija-flôr Embargos de terceiro Senhor e possuidor.

Quer este possuil-a, Tambem o outro a quer.

A pobre flôr vacilla, Não sabe a que attender.

O sol, juiz tão grave Como o melhor doutor, Condemna a briza e a ave Aos osculos da flôr.

Zephyro ouve e appella. Appella a colibri. No emtanto a flôr singela Com ambos folga e ri.

Tal a formosa dama Entre dous fogos, quer Aproveitar a chamma... Rosa, tu és mulher!

Respira aquelles ares, Amigo. Deita ao chão Os tedios e os pezares. Revive. O coração

É como o passarinho, Que deixa sem cessar

A maciez do ninho Pela amplidão do ar.

Pudesse eu ir comtigo, Gozar comtigo a luz; Sorver ao pé do amigo Vida melhor e a flux!

Ir escrever nos campos, Nas folhas dos rosaes, E á luz dos pyrilampos, Ó Flora, os teus jornaes!

Da estrella que mais brilha Tirar um raio, e então Fazer a gazetilha Da immensa solidão.

Vai tu que podes. Deixa Os que não podem ir, Soltar a inutil queixa, Mudar é reflorir.